"Metas são sonhos com prazos definidos"
CRISTIANO MARCELLO
Graduado em Gestão Comercial, Pós Graduado em Administração Mercadológica.
Ministra treinamentos corporativos desde 2012. É Pastor Luterano há 15 anos e Psicanalista Clínico em Formação.
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João e a fuga das mangas compridas
Foi um dia maravilhoso para João. Foi acordado às 07hs da manhã com café na cama, levado pela esposa Michele e pelos filhos João Pedro e Mariane, de 1 e 2 anos, respectivamente. Recebeu beijos e abraços, presentes, cartões com desenhos dos pés e mãos dos filhos, tomou café em família e foi alegre para o trabalho.
Foi recebido com uma festa surpresa, balões em sua mesa, abraços e presentes de aniversário.
Entre os presentes, duas camisas sociais de mangas compridas, entre livros e vinhos.
Após o trabalho, voltou para casa animado, pois as comemorações continuariam em um jantar com família. Enquanto pegava os presentes no carro deu um logo suspiro ao ver na sacola as duas camisas de manga longa. Usá-las seria impensável há dois anos atrás.
Ao entrar em casa beijou seus filhos e deu um longo e apertado abraço em Michele, que surpresa perguntou como foi o dia e se algo diferente havia acontecido.
Em lágrimas de gratidão e alegria, João mostrou as duas camisas de mangas compridas e disse: imagine se fosse há dois anos?
Ambos se abraçaram novamente, agora em lágrimas e se prepararam para sair.
João teve uma infância difícil, pois juntamente com seus cinco irmãos enfrentou o dissabor de ter um pai alcoólatra, que sob as garras do vício, muitas vezes batia nos filhos e na esposa.
Quando tinha dez anos de idade, João viu seu pai morrer vítima de uma cirrose, ficando dividido entre sofrimento e alívio, pois em seus raros momentos de sobriedade o pai os abraçava e os levava para pescar, jogar bola e tomar banho de rio.
Pouco tempo depois, sua mãe se envolveu com outro alcoólatra, que desta vez não os batia, mas tampouco lhes dava atenção e carinho.
Os irmãos cresceram, criaram seu próprio caminho e seguiram em frente. João, com muito suor e noites de estudo cursou engenharia química, indo ainda jovem para o Japão através de um intercâmbio, onde permaneceu por onze anos.
Enquanto estava no Japão foi tudo bem, trabalhava até a noite em uma grande fábrica de motores, morava em um apartamento pequeno, mas aconchegante, caminhava em um grande jardim que havia ao lado e aproveitava para estudar.
Até que sua mãe adoeceu e acabou falecendo, vítima de um câncer.
Mesmo distante, a força da mãe era um incentivo para João enfrentar sua solidão e seus dissabores, mas com a perda dela ele decidiu voltar para seu país de nascimento.
E como tudo mudara em mais de uma década. Quando chegou à Vitória, sua cidade natal, quase não reconheceu.
A cidade ganhara muitos pontos turísticos, e enquanto saía do aeroporto viu muitas pessoas se divertindo em bares à beira-mar ou fazendo exercícios.
Após quase uma hora no trânsito, João chegou à casa da mãe e foi recebido por Paula, sua cunhada, casada com seu irmão caçula José, que cuidou da mãe em sua enfermidade e ficou morando na casa da matriarca após sua partida.
Foi como se voltasse no tempo, sentindo o cheiro da casa, os móveis, alguns dos quais pertenceram à sua mãe. O aparelho de som que era chamado de “três em um”, por ter leitor de cd’s, rádio e toca-fitas era o mesmo. O sofá que havia sido reformado, com seu tecido trocado do verde musgo que a mãe tanto gostava por um cinza quase prateado.
A casa estava silenciosa, nada como nos tempos de infância, onde via os irmãos correrem por todo lado, a mãe os empurrando casa a fora com uma vassoura para que não jogassem futebol dentro de casa. Paula e José não tinham filhos, seguiam uma doutrina que ensinava que a vida deveria ser vivida ao máximo, e acreditavam que com filhos isso não seria possível.
Tinham apenas dois cães e um gato, que chamavam carinhosamente de filhos e passeavam todos os dias.
João ficou apenas um fim de semana com o irmão e na segunda-feira tomou um avião para Belo Horizonte, para participar de uma entrevista em uma grande mineradora.
Seu conhecimento, somados à experiência internacional o fizeram ser contratados imediatamente. A mineradora mantinha um projeto que monitorava as águas, garantindo à população uma água limpa e saudável.
Após a contratação, João foi morar na cidade de Ipatinga, cerca de duas horas da Capital Belo Horizonte. Tudo na cidade respirava à mineração e João logo se encantou pelo clima, pela comida e pelas pessoas.
E como tinha mulheres bonitas na cidade! João logo chamou a atenção de uma moça chamada Michele, que trabalhava em uma floricultura ao lado do escritório da mineradora.
Michele via João chegar todos os dias ao trabalho e desde o primeiro dia aquele rapaz loiro, com uma bolsa de couro a tiracolo e a camisa de manga curta lhe chamou a atenção.
Estudante de Psicanálise, Michele notou que João sempre estava de camisa de manga curta, enquanto os demais colegas usavam mangas compridas, dobradas até o cotovelo nos dias quentes.
Como a floricultura prestava serviço à mineradora, Michele ia com frequência ao escritório, e uma tarde foi vencida pela curiosidade e perguntou à Joana, recepcionista da mineradora, quem era aquele jovem loiro de mangas curtas.
Joana contou que João era solteiro, sem namorada e que apesar de ser capixaba havia morado alguns anos no Japão.
Ao saber mais detalhes de João, Michele não parava de pensar nele, e sonhava com a oportunidade de conhece-lo melhor.
Ela até tentou se aproximar dele em uma feira que havia na cidade, mas João estava sempre circundado de clientes, que buscavam informações dos programas ambientais da mineradora.
Até que o dia chegou, e aquela quinta-feira de março ficaria para sempre na memória de Michele.
Enquanto preparava um arranjo de rosas vermelhas para a mineradora, pensava que era aquele seu último dia na floricultura, já que como estava formada investiria agora em sua carreira como psicanalista.
Pensou em como faria para ver novamente João, já que seu consultório funcionaria em um Shopping Center há alguns quilômetros da mineradora.
De repente um calafrio diferente inundou seu corpo e seu coração começou a bater mais forte.
Foi quando ouviu a campainha tocar e ao se virar, quase deixou a tesoura cair. Na sua frente estava João.
“- Boa tarde, moça. Tudo bem?” – inquiriu o jovem.
“- Boa tarde João, tudo ótimo”, respondeu Michele.
“- Como você sabe o meu nome?”, indagou João.
“- Eu falei com você na feira, e também fazia arranjos para a mineradora”.
“- Ah, bom, disse ele. E foi justamente isso que vim buscar. Joana está muito atarefada e me pediu para vir buscar o arranjo de rosas”.
Michele sorriu ao pensar que Joana fizera de propósito, sabendo que era o seu último dia, portanto a última chance de conversar com João.
Ao chegar mais perto, ela sentiu o coração bater ainda mais forte e ficou ruborizada. João parecia ainda mais bonito do que ela lembrava.
“- Hoje é meu último dia aqui”, aproveitou Michele.
“- Que pena, não quer mais trabalhar com flores?”
“- Na verdade eu amo flores, mas me formei em psicanálise e vou atuar na área”.
“- Que ótimo”- disse João – “Quem sabe você pode me ajudar então”.
Antes de responder, Michele lembrou de sua professora Marlene, que alertava seus alunos sobre o risco de atender pessoas próximas ou de se envolver emocionalmente com seus clientes.
“- Ajudar em que sentido”, perguntou Michele.
“- “A mineradora me aconselhou a fazer análise para me ajudar em algumas questões de comportamento, nada grave” - respondeu ele ruborizado. “Umas questões de minha infância”, emendou João.
“- Eu infelizmente não posso lhe atender, mas minha amiga Joana poderá te ajudar com certeza”.
“- Mas porque você não quer me atender?”, perguntou João, com olhar cabisbaixo.
“- Ah, João, seria um grande prazer, mas desde que eu te vi me afeiçoei a ti”, emendou Michele de forma corajosa. Como dizia sua mãe “cavalo encilhado só passa uma vez”.
Agora ambos que ficaram ruborizados, e após um certo silêncio João perguntou:
“- Que bom, mas você poderia então me dar o telefone de sua amiga?”.
“- Claro, já te envio por whatsapp”.
João informou seu número e saiu envergonhado e feliz, tanto que já ia esquecendo de levar as rosas.
Tudo aconteceu muito rápido, e após algumas sessões com Joana, João descobriu que a dificuldade de usar camisas de mangas compridas eram relacionada ao medo da violência do pai, que sempre usava camisa social de manga longa, uniforme da empresa onde trabalhava como vigilante.
Após ser liberto totalmente destes medos, João e Michele se casaram e construíram suas vidas.
Ao chegar em casa naquele dia de aniversário, João pensou em como o medo de usar camisa manga longa havia lhe atrapalhado, inclusive afastado de algumas oportunidades de trabalho.
Abandonou a faculdade de direito por não conseguir usar camisa e terno, passou muito frio, e vergonha por não poder ir a eventos corporativos e formaturas.
Mas tudo estava bem agora, graças a “cura pela fala” e à sua coragem de enfrentar seus medos.
A frase “Freud explica” passou a ser uma realidade em sua vida, e ele aprendeu o quanto é importante ter um profissional capacitado para lhe acompanhar.
Para comemorar seu aniversário e lembrar da importância de sua transformação, João escolheu uma camisa de mangas compridas na cor vinho para sair com sua família.
Não era apenas uma camisa, era uma alma antes ferida. Curada pela coragem e pelo apoio de uma profissional capacitada.
Tom Cruise e Bruce Willis:
Não pare quando alcançar
Tom Cruise e Bruce Willis têm muito a nos ensinar.
O sucesso de Top Gun - Maverick nem acabou e Tom Cruise já é manchete: agora será o primeiro ator a filmar no espaço. Não se trata de dinheiro, pois o ator de 60 anos tem uma fortuna estimada em USD 600 milhões, portanto tem dinheiro para viver muito bem por algumas vidas.
Conhecido por evitar o uso de dublês e já ter se pendurado inclusive do lado de fora de um avião militar, não basta para ele chegar no lançamento do filme pilotando um helicóptero, pilotar aviões de caça e ter seu próprio jato (um Honda Jet), ele quer filmar no espaço.
Segundo a imprensa, já há negociações entre a produtora de Tom Cruise com a Nasa e a Spacex, para levar o ator até a Estação Espacial Internacional. O objetivo é filmar uma caminhada espacial de Tom como um técnico que vai consertar a Estação Espacial e salvar o mundo novamente, é claro.
Já Bruce Willis, afastado das telas após ter sido diagnosticado por Afasia, uma doença que causa dificuldades na fala, acaba de ser o primeiro ator a vender seu direito de imagem para uma empresa de deepfake, que insere o rosto de uma pessoa digitalmente na imagem de outra.
Recentemente Willis lançou um comercial de celular onde teve seu rosto inserido digitalmente na face de um ator russo.
Bruce Willis poderia parar de vez? Claro, pois tem uma fortuna líquida estimada em USD 300 milhões. Mas ele não quer parar, por isso faz história se tornando o primeiro ator a ceder os direitos de sua face.
Em uma época onde a inteligência artificial já produz arte e música, veremos agora atores filmando verdadeiramente no espaço e estrelando filmes sem necessariamente estar no set de filmagens.
O que aprendemos com isto? Não pare quando alcançar o status, posição ou dinheiro que almejou.
Continue criando, produzindo e sonhando. Escreva uma história nova a cada manhã.
*Cristiano Marcello
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Hoje é o Dia do Cliente, data onde vamos ver nos feeds das redes sociais e receber e-mails de felicitações. Mas será que conhecemos nosso cliente, de verdade?
Imagine a cena: você quer agradar um cliente que considera especial no dia do seu aniversário. Após conversar com o vendedor que o atende, lhe entrega um sofisticado kit sommelier de vinho, em uma caixa de madeira que também é um tabuleiro de xadrez. Junto com o kit leva uma garrafa de um bom vinho chileno. Seu vendedor gosta de vinho, então acredita que será o presente ideal e vai deixar o cliente satisfeito.
Detalhe: o cliente não toma vinho, é amante de cervejas artesanais; inclusive fazendo suas próprias cervejas, e não joga xadrez, mas ama uma partida de baralho.
Já seu concorrente, que tem um produto considerado inferior e mais caro, conhece melhor o cliente e lhe dá uma régua de degustação de cervejas personalizada (tábua com 4 copos para degustar diferentes tipos e um espaço com textura de quadro negro para escrever o tipo de cerveja) junto com um livro de receitas de comidas de bar para harmonizar com cada cerveja.
Resultado: você ganhou um “que legal, muito obrigado” e seu concorrente ouviu um “nossa, isto era justo o que eu queria”.
Trazendo para o dia a dia, quanto gastamos com descontos para clientes que só precisam de uma entrega melhor, ou com custo financeiro em um cliente que não precisa de prazo e sim de atendimento personalizado?
Certa vez ouvi de um cliente insatisfeito que o que ele apenas queria era uma ligação do Gerente Comercial de vez em quando. Se tratava de um senhor de idade, que não tinha a admiração do filho e queria apenas se sentir honrado.
Poderíamos resolver o problema com uma ligação de cinco minutos a cada vinte ou trinta dias, que custaria pouco, mas em troca gastávamos um valor muito maior com descontos e visitas desnecessárias.
Mas como conhecer nosso cliente de forma a agradá-lo e de quebra gerar benefícios para nós?
Treine sua equipe de atendimento, faça pesquisas, e também olhe para dentro de casa, já que seus colaboradores são seus primeiros clientes.
Aproveite esta reflexão, veja onde precisa melhorar e caminhe em direção a maiores resultados.
Feliz Dia do Cliente!